Tarcísio promete lei para garantir empregos e pede que sindicato encerre greve da CPTM antes do horário de pico da tarde
Governador Tarcísio de Freitas fala sobre greve da CPTM durante entrevista coletiva no Palácio dos Bandeirantes Reprodução/TV Globo O governador de São Pau...
Governador Tarcísio de Freitas fala sobre greve da CPTM durante entrevista coletiva no Palácio dos Bandeirantes Reprodução/TV Globo O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), afirmou nesta quarta-feira (5) que enviará à Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp) um projeto de lei para garantir a absorção dos funcionários das linhas 11-Coral, 12-Safira e 13-Jade da CPTM por outras empresas estaduais após concessão do serviço à iniciativa privada. Durante entrevista coletiva no Palácio dos Bandeirantes, o governador também pediu que o sindicato que representa a categoria encerre a paralisação ainda hoje. "O que a gente espera é que haja bom senso e que o serviço seja retomado antes do horário de pico de hoje, porque a gente não quer ver o sofrimento das pessoas no fim da tarde", afirmou. Segundo Tarcísio, a proposta será apresentada durante a audiência de conciliação marcada para esta tarde no Tribunal Regional do Trabalho (TRT) e reforçará o compromisso do governo de preservar os empregos dos cerca de 4.700 trabalhadores da companhia afetados pelo processo de concessão das linhas ferroviárias. "Já existe um instrumento jurídico para isso desde 2020, mas ainda assim vamos encaminhar um projeto de lei específico para as linhas 11, 12 e 13 para dar mais força a esse compromisso e tirar qualquer argumento em sentido contrário", afirmou. CPTM diz que menos de 3% dos maquinistas compareceram ao trabalho no 2° dia de greve A greve, iniciada à meia-noite de terça-feira (4), tem provocado transtornos a passageiros da capital e da Grande São Paulo. A paralisação atinge linhas que, juntas, transportam quase 1 milhão de pessoas por dia. Nesta quarta, usuários relataram demora, superlotação e dificuldades para embarcar nos ônibus do sistema Paese, operação emergencial criada para substituir temporariamente os trens. O Sindicato dos Ferroviários da Central do Brasil reivindica garantias formais para os trabalhadores da CPTM e contestam o processo de concessão das três linhas à iniciativa privada. Representantes dos ferroviários disseram que vão votar a proposta anunciada por Tarcísio em assembleia assembleia com trabalhadores hoje àtarde. Durante a coletiva, o governador voltou a afirmar que nenhum empregado foi demitido e disse que os trabalhadores serão absorvidos pela própria CPTM, pelo Metrô, pela Artesp e por outros órgãos estaduais. "Desde que a concessão foi feita, quem foi demitido? Ninguém", declarou. Segundo ele, o governo já havia assumido esse compromisso em reunião realizada na segunda-feira (3) entre representantes da Casa Civil, da Secretaria dos Transportes Metropolitanos e dirigentes sindicais. Greve deixa quase 1 milhão de pessoas sem transporte em São Paulo Jornal Nacional/ Reprodução O governador também fez duras críticas ao movimento grevista e disse que o estado "não pode ficar refém do sindicato". Afirmou ainda que as reivindicações são "desarrazoadas", acusou a mobilização de ignorar as garantias apresentadas pelo governo e voltou a associar a paralisação a motivações políticas. "A gente vê a captura do sindicatos por grupos extremistas, grupos de extrema-esquerda. Ora, nós tínhamos parlamentares discursando na assembleia que definiu a greve", afirmou Tarcísio. "É uma vontade de criar o caos e há um descompromisso com as pessoas. Não estão nem aí para a vida e para o sofrimento das pessoas", acrescentou o governador. Tarcísio voltou a afirmar que a Justiça do Trabalho teve decisões descumpridas durante a greve. Segundo ele, a determinação que exigia a manutenção de 80% do efetivo nos horários de pico não foi observada pela categoria. LEIA TAMBÉM: CPTM diz que menos de 3% dos maquinistas compareceram ao trabalho no 2° dia de greve de trens Passageiros reclamam de demora, superlotação e motoristas que não sabem caminho de ônibus do Paese Cidade de SP registra manhã com 768 km de congestionamento, com rodízio suspenso durante greve Passageiros enfrentam filas e ônibus lotados no 2° dia de greve da CPTM em SP O governador justificou as concessões como parte de uma estratégia para ampliar investimentos e modernizar a malha ferroviária paulista. Segundo ele, as linhas enfrentam problemas estruturais, de sinalização e de fornecimento de energia que exigem investimentos de longo prazo. "A gente fez a desestatização para melhorar o serviço. Estamos falando de R$ 14 bilhões em investimentos", afirmou. O governador também disse que o processo de concessão das linhas faz parte de uma política defendida por sua gestão desde a campanha eleitoral de 2022 e disse que a proposta de ampliar a participação da iniciativa privada na operação dos transportes foi chancelada pelas urnas. "A manutenção do emprego nunca foi problema para o estado. Aí começa: 'não, a gente está lutando também pela reestatização'. Isso está fora de questão. Nós não vamos reestatizar porque acreditamos que existe uma jornada de investimentos para melhorar o serviço", afirmou. Segundo o governador, medidas judiciais serão ampliadas caso a paralisação seja mantida após a apresentação do projeto de lei. "Se o TRT não resolver, nós vamos ao TST. Se o TST não resolver, nós vamos ao Supremo. Nós vamos ao limite para fazer cumprir a lei", declarou. Como começou o impasse As linhas 11-Coral, 12-Safira e 13-Jade foram concedidas pelo governo paulista ao grupo Comporte Participações, controlador da concessionária Trivia Trens. O contrato prevê investimentos de R$ 14,3 bilhões em obras, modernização da infraestrutura e ampliação da capacidade do sistema. A concessionária assumiu integralmente a operação das três linhas em 21 de julho. Nos dias seguintes, porém, passageiros enfrentaram falhas operacionais, atrasos e um incêndio em uma composição da Linha 12-Safira. Após os problemas, a Artesp determinou que a CPTM reassumisse temporariamente a operação das linhas por 90 dias enquanto a concessionária realiza ajustes. A greve ocorre justamente nesse período de retorno provisório da estatal ao comando do serviço. Governo e sindicato divergem sobre empregos O principal impasse entre governo e ferroviários continua sendo a situação dos cerca de 4.700 funcionários da CPTM após a concessão das três linhas. O Sindicato dos Trabalhadores em Empresas Ferroviárias da Zona Central do Brasil afirma que a categoria decidiu manter a greve porque não recebeu uma garantia formal por escrito de preservação dos empregos. A entidade também defende a reestatização das linhas 11, 12 e 13 e apoia a tramitação de um projeto de lei que prevê a absorção de funcionários da CPTM por órgãos estaduais após processos de concessão. Em assembleia realizada na noite de terça-feira, os trabalhadores decidiram manter a paralisação e marcaram uma nova reunião para esta quarta-feira, às 17h, quando poderão reavaliar o movimento. Já o governo estadual sustenta que não há demissões relacionadas à concessão das linhas e afirma que os funcionários estão sendo realocados para outras áreas. Em nota divulgada após a decisão do sindicato de manter a greve, a gestão Tarcísio afirmou que a justificativa apresentada pela categoria "não é verdadeira". Passageiros enfrentam filas e ônibus lotados No segundo dia de greve, passageiros continuaram enfrentando dificuldades para se deslocar. Em estações da Linha 12-Safira, usuários relataram espera superior a uma hora para embarcar nos ônibus da Operação Paese. Além da demora e da lotação dos veículos, passageiros afirmaram que alguns motoristas desconheciam os trajetos e precisavam pedir informações sobre o percurso. Segundo a Agência de Transporte do Estado de São Paulo (Artesp), foram disponibilizados 195 ônibus nesta quarta-feira, número superior aos 128 veículos colocados em circulação no primeiro dia da paralisação. Do total, 95 atendem a Linha 11-Coral, 90 a Linha 12-Safira e 10 a Linha 13-Jade. A agência informou que o reforço da frota busca reduzir os impactos da paralisação e afirmou que orientou as empresas responsáveis pela operação. Sobre relatos de motoristas sem conhecimento das rotas, a gestão estadual classificou os casos como eventuais. Impacto na cidade Por causa da paralisação, a Prefeitura de São Paulo voltou a suspender o rodízio municipal de veículos nesta quarta-feira. A administração municipal também informou que consultas e exames que forem afetados pela dificuldade de deslocamento dos pacientes serão remarcados pelas unidades de saúde. A paralisação agravou os problemas de trânsito na capital paulista. Às 8h30 desta quarta-feira (5), a cidade registrou 768 quilômetros de congestionamento, segundo a Companhia de Engenharia de Tráfego (CET), o maior índice para o horário nas últimas quatro semanas. O volume de lentidão superou o registrado no primeiro dia da greve, quando a cidade marcou 724 quilômetros de congestionamento às 8h30. Também ficou muito acima dos índices observados nas últimas quartas-feiras, que variaram entre 252 km e 341 km no mesmo horário. Segundo o governo, dos 4.648 funcionários da CPTM registrados em junho deste ano, 2.171 permanecem na Linha 10-Turquesa e os demais estão inseridos em processos de realocação para o Metrô, Artesp, Arsesp e outros órgãos estaduais. Justiça determinou funcionamento mínimo A paralisação também gerou disputa sobre o cumprimento de decisão judicial. O Tribunal Regional do Trabalho (TRT) determinou que 80% dos trabalhadores atuassem nos horários de pico e 60% nos demais períodos. Em caso de descumprimento, foi fixada multa diária de R$ 400 mil ao sindicato. Nesta quarta-feira, a CPTM informou que apenas três dos 126 maquinistas escalados para operar as linhas afetadas compareceram ao trabalho pela manhã. Segundo a companhia, o efetivo total em serviço representava 47% do necessário às 7h, abaixo do percentual determinado pela Justiça. Para manter parte da operação, a empresa informou que supervisores assumiram a condução de trens dentro do plano de contingência. Até a publicação desta reportagem, o sindicato não havia comentado os números divulgados pela companhia.